O custeio da produção e a precificação estratégica: Uma relação vencedora no mercado
- Alexandre Gabriel Fontenelle
- 21 de set. de 2025
- 3 min de leitura

No cenário empresarial contemporâneo, a capacidade de precificar produtos de forma estratégica é um pilar fundamental para a sustentabilidade e o crescimento. A precificação não se trata apenas de cobrir custos e adicionar uma margem de lucro, mas de se posicionar de forma competitiva no mercado, otimizando o valor percebido pelo cliente e maximizando os resultados financeiros. Neste contexto, os sistemas de custeio de produção emergem como ferramentas essenciais, fornecendo as informações necessárias para embasar decisões de preço inteligentes.
A Matemática Comercial como Base para a Competitividade
A matemática comercial é o alicerce que conecta os custos de produção à precificação. Ela fornece os modelos e as fórmulas para calcular custos fixos, custos variáveis, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, e preço de venda. A compreensão aprofundada desses conceitos permite que a empresa:
Determine o preço mínimo de venda: Garantindo que cada venda contribua para a cobertura dos custos e a geração de lucro.
Avalie a viabilidade de promoções e descontos: Calculando o impacto dessas ações nas margens de lucro.
Compare a lucratividade de diferentes produtos: Identificando quais itens têm maior potencial de retorno e onde focar os esforços de vendas.
Analise o desempenho da empresa: O uso de indicadores como a margem de lucro permite monitorar a saúde financeira do negócio e tomar decisões corretivas.
Sem uma sólida base em matemática comercial, a precificação pode ser uma aposta arriscada, levando a perdas ou à perda de oportunidades no mercado. É essa disciplina que traduz a realidade dos custos em uma linguagem numérica, permitindo que os gestores tomem decisões com base em dados concretos.
O Custeio Variável como Alavanca Estratégica
Tradicionalmente, muitas empresas utilizam sistemas como o custeio por absorção, que aloca todos os custos de produção (fixos e variáveis) aos produtos. Embora útil para fins de contabilidade financeira, esse método pode mascarar a verdadeira rentabilidade de cada item.
É aqui que o custeio variável se destaca como uma estratégia poderosa. Este sistema considera apenas os custos variáveis de produção (como matéria-prima e mão de obra direta) na composição do custo do produto. Os custos fixos (aluguel, salários administrativos, etc.) são tratados como despesas do período.
A grande vantagem do custeio variável é que ele revela a margem de contribuição de cada produto. A margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e o custo variável unitário. Ela representa o valor que cada venda contribui para o pagamento dos custos fixos e para a geração de lucro.
Ao focar na margem de contribuição, a empresa pode:
Identificar produtos mais lucrativos: Aqueles com maior margem de contribuição, que geram mais dinheiro para cobrir as despesas fixas.
Otimizar o mix de produtos: Priorizando a produção e a venda dos itens com maior retorno.
Tomar decisões estratégicas de preço: Por exemplo, é possível abaixar o preço de um produto em uma campanha de marketing, desde que ele ainda gere uma margem de contribuição positiva. Isso é uma manobra que pode impulsionar o volume de vendas e, consequentemente, a margem total.
O custeio variável permite uma visão mais dinâmica e flexível da lucratividade, essencial para a tomada de decisões estratégicas em um ambiente de mercado em constante mudança. Ele transforma o custeio de uma mera ferramenta de registro em um instrumento de gestão para a melhoria dos resultados estratégicos, permitindo que a empresa se posicione de forma mais agressiva e inteligente frente à concorrência.
Em suma, a relação entre sistemas de custeio, matemática comercial e precificação estratégica é um ciclo virtuoso. Um sistema de custeio bem definido, como o custeio variável, fornece os dados, a matemática comercial os traduz em informações acionáveis, e a precificação estratégica utiliza essas informações para criar uma vantagem competitiva sustentável.








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